FIDCs: O que são e como funcionam?

FIDCs: O que são e como funcionam?

Publicado por Sidney Lima – 15/09/2025

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) vêm ganhando cada vez mais espaço no mercado brasileiro. Embora ainda sejam pouco conhecidos pelo grande público, eles se consolidaram como uma das principais alternativas de diversificação e geração de retorno para investidores profissionais. Neste artigo, vamos esclarecer como funciona esse tipo de fundo, quais são suas características mais relevantes e de que forma podem se encaixar em diferentes perfis de carteira.

Como investir em um FIDC?

A primeira dúvida de quem se interessa pelo tema é como acessar esse tipo de investimento. Apesar de existirem alguns FIDCs listados na B3, eles representam apenas uma fração muito pequena de um universo muito maior. Hoje já são mais de 3.500 fundos em operação no Brasil, de acordo com o último relatório da ANBIMA, a grande maioria distribuída por meio de ofertas públicas voltadas a investidores profissionais e institucionais.

Na prática, o caminho mais comum é investir através de fundos que distribuem cotas de FIDCs ou em ofertas estruturadas por instituições financeiras e gestoras especializadas. Além disso, alguns desses fundos já podem ser acessados diretamente pelas plataformas digitais das principais corretoras, facilitando o processo para o investidor que deseja incluir esse tipo de ativo em sua carteira.

Quais são os tipos de FIDC e como funciona a rentabilidade?

Os FIDCs podem ser estruturados a partir de diferentes naturezas de recebíveis. Entre os exemplos mais comuns estão os fundos lastreados em crédito consignado, duplicatas comerciais, recebíveis de cartões de crédito, mensalidades educacionais, convênios de saúde, contratos de fornecimento e até precatórios. Também existem fundos que trabalham com carteiras de crédito inadimplido, buscando retorno em operações de maior risco.

Todos esses ativos são considerados direitos creditórios, desde que tenham origem em uma obrigação líquida e certa. Quanto à rentabilidade, não existe uma única referência. O que se pode afirmar é que ela varia conforme o risco do ativo que compõe a carteira: cotas de menor risco tendem a oferecer retornos mais próximos do CDI, enquanto aquelas ligadas a créditos mais complexos podem alcançar níveis superiores de rentabilidade.

FIDCs pagam dividendos?

Uma confusão comum é imaginar que os FIDCs funcionam como ações, com pagamentos de dividendos periódicos. Na verdade, não é assim que ocorre. Nos fundos fechados, os pagamentos aos cotistas seguem o que está detalhado no Suplemento da Oferta , documento público que descreve as condições de cada subclasse de cotas. Isso garante transparência e previsibilidade, já que o investidor conhece o fluxo de recebimento desde o momento do aporte.

Além disso, os FIDCs podem ser estruturados de duas formas: com datas de encerramento previamente determinadas, em que o investidor sabe quando o fundo será liquidado, ou de forma contínua, sem prazo estabelecido de término. Quanto à remuneração, a maior parte das estruturas está atrelada ao CDI, mas sempre de acordo com as características de cada operação. O mais importante é compreender que, quanto maior o risco do crédito adquirido, maior tende a ser o retorno esperado, em alguns casos, superando de forma relevante a própria rentabilidade do CDI.

Qual é a diferença entre FIDC fechado e FIDC aberto?

A diferença central entre os dois modelos está na liquidez. O FIDC fechado não permite resgates a qualquer momento, e o investidor só consegue sair ao término do prazo ou pela venda de cotas no mercado secundário. Por essa razão, esse é o modelo predominante no Brasil.

Já o FIDC aberto permite que o cotista solicite resgates a qualquer tempo. No entanto, como os direitos creditórios não possuem liquidez imediata, os prazos para efetivação dos resgates costumam ser mais longos, justamente para que o fundo tenha condições de gerar caixa e atender às solicitações sem comprometer a carteira.

Como funciona a liquidez dos FIDCs?

A liquidez é um dos pontos mais importantes para quem avalia investir em FIDCs. Ao contrário de ações ou títulos públicos, não há um mercado secundário amplo com negociações diárias em bolsa. As transações costumam ser mais restritas e, em muitos casos, bilaterais, envolvendo principalmente investidores institucionais.

Isso, entretanto, não significa que o investidor deva enxergar os FIDCs como inacessíveis. Pelo contrário: quando bem estruturados, eles oferecem fluxos de pagamento previsíveis e se tornam uma excelente estratégia de médio e longo prazo, trazendo estabilidade e diversificação à carteira.

FIDCs como Alternativa?

Os FIDCs são uma alternativa sofisticada e em plena expansão no mercado brasileiro. Eles permitem ao investidor acessar diferentes tipos de crédito, com estruturas que podem variar em risco, prazo e forma de remuneração. Mais do que uma simples diversificação, os FIDCs representam um elo entre o mercado de capitais e a economia real, financiando empresas, serviços e setores estratégicos do país.

Se você deseja conhecer mais sobre como os FIDCs podem contribuir para sua estratégia de investimentos, procure o seu assessor de investimentos e descubra também as soluções da Ouro Preto.

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